sexta-feira, 18 de abril de 2008

MINHA OPINIÃO SOBRE O FUNK
Muitos retratam a música como um meio do ser humano tentar entrar em harmonia com a natureza, produzindo uma harmonia sonora que mexe com o interior das pessoas, como se fosse um meio de entrar em contato com o mundo em si. Mas a música é mais que apenas isso, ela é uma forma de expressão, uma arte, uma maneira de algumas pessoas extravasarem algum sentimento reprimido, isso desde o amor em si até a revolta com as dificuldades da vida.
A música já foi tratada de várias maneiras, ela é capaz de exaltar um povo que se honra pela nação através de um hino, serve para adormecer as pessoas através das canções de ninar, para tentar mostrar quanto amor uma pessoa sente pela outra, como através da serenata, para meditação, como o mantra, realização de cerimônias sagradas, como as musicas religiosas, para apenas apreciação, como em óperas e apresentações de pianistas, e para extravasar sentimentos pesados, como no rock e no Havy Metal.
O mundo já presenciou as mais variadas formas de expressão musical, e em cada lugar foi criado seu estilo, inclusive nas áreas menos desfavorecidas. Assim como o Hip-Hop surgiu nos guetos do sul dos EUA, o Funk surgiu das favelas do Brasil. Essas músicas expressam algo como tantas outras, mas mais que isso, elas tentam passar à sociedade uma imagem do que é a realidade das favelas.
O Hip-hop cantado por, na maioria, negros, buscou criticar a sociedade excludente, expressar amor, raiva, frustração, assim como fazem as demais musicas, mas se utilizando de palavras de sua realidade. O vocabulário, por tanto, não será nenhum retirado de uma gramática, será o chamado Black English, um inglês norte americano informal utilizado nos guetos, assim como logo são introduzidas as gírias dos guetos e palavrões com o tempo. Com o Funk não foi diferente. Surgido nas favelas, ele mostrava a sua realidade, tanto através das letras quando pelas palavras em si, de baixo calão, vulgares, informais e cheias de gírias, assim como é o vocábulo no local de onde vieram.
Dá até para entender que o “povão favelado” não está acostumado a ouvir Bossa Nova, Frank Sinatra, música instrumental ou japonesa, afinal não é a realidade deles, e muito menos satisfaz suas formas de expressão. Então é natural que criem a própria forma, no caso o Funk. Todavia, as repercussões foram desastrosas. Logo a Elite interviu (assim como foi no inicio do Hip-hop no continente norte americano), afinal aquela música podre começou a invadir o espaço das músicas tradicionais, se antes conversas baixas e agradáveis eram ouvidas ao som de “Garota de Ipanema” e “Águas de Março”, agora você vai até o chão com “Tatty-Quebra-Barraco”. A elite teve de permitir que a música fosse livre, mesmo que ela descesse as favelas e contagiasse o mundo jovem letrado. No fim, para por mais lenha na fogueira, o Funk começou a fazer apologias ao narcotráfico, utilizar-se de palavras sem pudor algum, utilizar como tema uma sexualidade barata e altamente obscena que vai de contra com a população elitista, tradicional.

Quanto ao meu comentário, que é necessário compreender o passado para criar conceitos para o presente, eu tenho na minha opinião que se o Funk fosse abolido da existência a que me restrinjo seria algo reconfortante e, provavelmente, indiferente. A existência do Funk para mim é algo que pode existir, mas com limites, afinal, nada nesse mundo não pode ser sem limites!
A minha realidade, sendo mais humilde possível, é de elite, não vivo em favela, morro, área pobre etc. Não vivo colado ao narcotráfico nem tenho amigo nenhum que é aviãozinho. Vivo uma vida de prazeres de uma realidade diferente da dos morros, tanto que meu mais delicioso passa tempo é tomar um bom vinho tinto seco comendo frutos do mar de frente a uma praia ao entardecer. Podem me chamar de tradicionalista ou cafona, mas infelizmente é isso que me faz me sentir bem. Shows? Vou sim, mas não preciso ir até o chão ou dançar “Créu” para me divertir. Para mim a realidade da favela me traz nada mais que informação para uma conversa critica com os amigos e fonte de analise das crises da sociedade. O Rio de Janeiro em si, jovens letrados e jovens do morro parecem estar sempre voltados para a favela. Um dos filmes que mais fizeram sucesso no Brasil foi Tropa de Elite, aí eu pergunto... Tah, tem o BOPE, mas e EU COM ISSO?
Não acho que o Funk tenha de ser proibido. Ele é uma expressão artística e não deve haver algo como uma lei que proíba expressões artísticas, afinal, se o Funk representa a cultura de algum lugar, por que não proibir o Rock? A Bossa Nova? O Funk deve existir sim, servindo àqueles que se deliciam em ouvir uma musica com “batida” e pobreza vocal aonde geralmente é uma letra de palavras horríveis com uma voz cacofonica. Ele existir ou não, não deveria, se quer, ser discutido, mas sim preocupar-se com os limites. Se ele faz apologia ao trafico, aí realmente essa parte deve ser reprimida para evitar jovens que achem que o trafico é uma espécie de novo mercado de trabalho, se há palavrões, que fique com quem se agrada ouvir xingamentos e palavras que fariam uma senhora dos anos 60 ter um ataque cardíaco, e se gostam de dançar eroticamente sem pudor algum, que assim seja, já que é agradando alquém, mas as coisas passam do limite quando o Funk surge de forma que atinja negativamente outras pessoas.

A liberdade do homem e de sua cultura deve ser total, mas sempre um respeitando o limite do outro. Colocar carros de som a ultimo volume em frente a residências no meio da noite, passa do limite e se torna falta de respeito. Ninguém vai reclamar se você fizer uma festa e colocar musicas em inglês, por que a língua não afronta nenhum bem estar do outro, mas festas de funk “proibidão” (como chamam) usam de letras que ofendem e desagradam humilhantemente pessoas que, como eu, são indiferente a essa cultura da favela. Se o Funk se tornasse algo restrito a um grupo que a musica agrade e, como as demais vertentes de musicas, fosse indiferente para com os que não se agradam, acho que sinceramente, não deveria haver qualquer critica, afinal assim como na literatura o Parnasianismo foi substituído pelo Modernismo, a Bossa Nova e o Samba foram empurrados pelo Funk. Os últimos quebram completamente os conceitos dos 1º, mas nem por isso têm permissão de serem proibidos, afinal são frutos de cultura. O desrespeito alheio, a humilhação do outro e a apologia do tráfico são em Tríade, o problema da música, mas os dois primeiros podem ser resolvidos com a reeducação de se tornar indiferente às demais culturas e ser restrita a sua “tribo”, já o último não há duvidas que a Justiça deve reprimir.
Quando uma coisa agrada alguém e não inflige danos quaisquer a alguém, quem somos nós para julgar e proibir ou não proibir tal coisa?

Um comentário:

Anônimo disse...

Iai truta qual qui é a tua contra us pankadão?



XD

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