terça-feira, 23 de setembro de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O que pensaria o célebre filósofo grego da Antigüidade diante do sistema político do Brasil contemporâneo? Reconheceria nele as idéias igualitárias da democracia ateniense?

domingo, 10 de agosto de 2008
Por que para os terroristas árabes é tãofácil se suicidar?

segunda-feira, 14 de julho de 2008
CURIOSIDADES E QUESTIONAMENTOS SOBRE SEREIAS

Vc sabia...
> Que sereia não usa calcinha???? *¬*
E SERÁ...
>Que sereia faz cocô? -.-"
OBS: Se o governo que é nosso poder legislaivo, executivo e judiciario, moderador de nossos atos para melhorar nossa sociedade, vivem só pensando em proibir fansubbers/fanfics, guardar o tutu na coeca e viajar pro exterior com cartão corporativo ilimitado, esquecendo nossos problemas e deixando nosso povo neste caos, por que eu tb não posso esquecer assuntos tão irrelevantes, como o bem estar da nação (em tom ironia), para fazer essas perguntas e apresentar essas curiosidades das quais nunca devem ter imaginado!
Apenas estou agindo com a mentalidade do nosso sistema governamental! ^^ E se ver uma Sereia sem calcinha me chame! \*¬*__ __*¬*/
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Tipos de Estados usando vacas
*Socialismo:* Você tem duas vacas, o governo toma uma e dá para seu vizinho que não tinha nenhuma.
*Comunismo:* Você tem duas vacas, o governo toma as duas, e dá a você um pouco de leite diariamente.
*Fascismo:* Você tem duas vacas, o governo toma as duas e vende a você o leite.
*Nazismo:* Você tem duas vacas, o governo mata você e toma as duas vacas.
*Democracia:* Você tem duas vacas, vende duas para o governo, muda para cidade e consegue um emprego público.
*Anarquismo:* Você tem duas vacas, mata as duas e faz um churrasco.
*Capitalismo Selvagem:* Você tem duas vacas, vende uma, compra um touro e o governo toma os bezerros como imposto de renda na fonte.
*Governo Tucano:* Você não tem vaca nenhuma, o governo vende as deles pro Estados Unidos, e você só compra leite importado de caixinha!
*Governo Petista:* Sua vaca sumiu ninguém sabe, ninguém viu!
domingo, 22 de junho de 2008
_____20 COISAS QUE APRENDI COMO ESCRITOR!____

APRENDI que escrever é basicamente contar histórias, e que os melhores livros de ficção que li eram aqueles que tinham uma história para contar.
APRENDI que o ato de escrever é uma seqüela do ato de ler. É preciso captar com os olhos as imagens das letras, guardá-las no reservatório que temos em nossa mente e utilizá-las para compor as nossas próprias palavras.
APRENDI que, quando se começa, plagiar não faz mal nenhum. Copiei descaradamente muitos escritores, Monteiro Lobato, Viriato Correa e outros. Não se incomodaram com isto. E copiar me fez muito bem.
APRENDI que, quando se começa a escrever, tinha de escrever. Não adiantava só ficar falando de como é bonito escrever; eu tinha mesmo de enfrentar o trabalho braçal (e glúteo) de sentar e trabalhar.
APRENDI que uma boa idéia pode ocorrer a qualquer momento: conversando com alguém, comendo, caminhando, lendo (e, segundo Agatha Christie, lavando pratos).
APRENDI que uma boa idéia é realmente boa quando não nos abandona, quando nos persegue sem cessar. O grande teste para uma idéia é tentar se livrar dela. Se veio para ficar, se resiste ao sono, ao cansaço, ao cotidiano, é porque merece atenção.
APRENDI que aeroportos e vares são grandes lugares para se escrever. O var, por razões óbvias; o aeroporto, porque nele a vida como que está em suspenso. Nada como uma existência provisória para despertar a inspiração literária.
APRENDI que as costas do talão de cheque é um bom lugar para anotar idéias (é por isso que o escritor tem de ganhar a grana suficiente para abrir uma conta bancária). O guardanapo do restaurante também serve, desde que seja de papel e não de pano.
APRENDI que não dá para usar um gravador como forma de registrar textos. A nossa voz sai de outro compartimento, que nada tem a ver com a palavra escrita.
APRENDI que o computador é um grande avanço no trabalho de escrever, mas tem um único inconveniente: elimina os originais, os riscos, os borrões, e portanto a história do texto, a qual – como toda história – pode nos ensinar muito.
APRENDI que a mancha gráfica representada pelo texto impresso diz muito sobre este mesmo texto. As linhas não podem estar cheias de palavras; o espaço vazio é tão eloqüente quanto o espaço preenchido pela escrita. O texto precisa respirar, e quando respira, fica graficamente bonito. Um texto bonito é um texto bom.
APRENDI a rasgar e jogar fora. Quando um texto não é bom, ele não é bom – ponto. Por causa da autocomiseração (é a nossa vida que está ali!) temos a tentação de preserva-lo, esperando que, de forma misteriosa, melhore por si. Ilusão. É preciso ter a coragem de se desfazer. A cesta de papel é uma grande amiga do escritor.
APRENDI a usar a gaveta. Mesmo os melhores textos, como os melhores vinhos, beneficiam-se de um período de maturação. Precisamos lê-lo com olhar diferente. E nada como o tempo para isto.
APRENDI a não ter pressa de publicar. Já se ouviu falar de muitos escritores batendo, aflitos, à porta dos editores. O que é mais raro, muito mais raro, são os leitores batendo à porta do escritor.
APRENDI a não reler meus livros. Um livro tem existência autônoma, boa ou má. Não precisa do olhar de quem o escreveu para sobreviver.
APRENDI que, como escritor, um livro é como um filho, mas que é preciso diferenciar entre filhos e livros.
APRENDI que terminar um livro se acompanha de uma sensação de vazio, mas que o vazio também faz parte da vida de quem escreve.
APRENDI que há uma diferença entre literatura e vida literária, entre literatura e política literária. Escrever é um vício solitário.
APRENDI a diferenciar entro o verdadeiro crítico e o falso crítico. O falso crítico não está falando do que leu. Está falando dos seus próprios problemas.
APRENDI que, para um escritor, frio na barriga ou pêlos do braço arrepiados são um bom sinal: um livro vem vindo aí.

SCILIAR, Moacyr. In: Blau – Jornal bimestral de literatura, Porto Alegre, n. 5, agosto de 1995.
sábado, 31 de maio de 2008
UMA CRITICA À GLOBALIZAÇÃO

Durante a Guerra Fria, principalmente durante o fim da URSS, percebeu-se o poder desse monstro corrupto e tentador. Na União Soviética todos possuíam uma qualidade de vida, carro e não havia mendigos nas ruas, porém a qualidade de vida não era tão confortável quanto nos países capitalistas, até os carros não eram os do ano, em contra partida, nos países capitalistas a qualidade de vida era alta e os carros eram do ano (ainda que estejamos falando de uma minoria, mas era essa minoria que era divulgada), apesar da existência de miséria e mendigos nas calçadas. Assim acabou que a população da extinta União Soviética preferiu que aparecessem mendigos nas ruas do que ficar sem o carro do ano. A perestróica foi a tentação maior que o medo do desemprego.

Visando esse monstro que é o sistema capitalista, não podemos deixar de falar de um de seus membros mais danosos, ainda que alguns não o considerem assim, a globalização. Alguns especialistas no assunto acreditam que a globalização, através do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, torna a população mais estável, ordenada, e, como disse o romancista George Orwell, organizada em uma sociedade com excessiva estabilidade e previsibilidade. Todavia, percebesse que apesar da sociedade ter fugido à fortuna dos fatos, sendo manipulada e alienada pelos poderosos, as conseqüências no planeta e na própria cultura das pessoas saíram de controle.
A globalização é uma arma do capitalismo, um exemplo é seu efeito sobre a cultura humana, e isso inclui alimentação, ritos, religião e até organização social. A globalização coloca todas as pessoas do mundo sob uma carga incontrolável de informações (úteis ou não), mostrando, opinando e forjando as mais diversas culturas existentes, além da mídia “levar” para cada canto, um pouco de cada parte. O Japão é um exemplo, durante grande parte de sua história permaneceu-se fechado no Eixo de Japão-Coréia-China, quando, na Era Meiji, em especial, abriu-se ao mundo exterior, foi bombardeado de tal forma que sua cultura por pouco não sucumbiu. Sempre acostumados em suas especiarias de arroz e frutos do mar, hoje Mcdonalds são vistos nas grandes cidades, as quais se parecem cada vez mais com as do ocidente em sua arquitetura e modo de vida, que segue o American’s New Way of Life.
A globalização exporta, impõe e interliga as demais culturas, derruba as barreiras territoriais pelo plano econômico e destrói nacionalismos. Estando diante de tal massacrante individualismo capitalista, competição econômica e social e até sendo mergulhado em uma onda de culturas, cada pessoa tem uma noção espacial do planeta bem menor que possuíam nossos antepassados. Se guerras estouram basta fugir para outro local, o amor a terra em que nasce caiu em conceito, basta ter capital no bolso. Um exemplo é no plano econômico, as empresas transnacionais são o máximo que puderam chegar. As multinacionais pertenciam a um país em especial, possuíam produtos comuns de sua área e tinham sua base em sua nação de origem enquanto ramos seus se espalhavam pelo mundo indo produzir nas nações distantes. Já as transnacionais são globalizadas, apátridas, sua base pode ser em qualquer canto e mudando-se para locais aonde encontrar vantagens fiscais ou de mão-de-obra e matéria prima, com empresas em várias partes do planeta. A conjuntura mundial mudou, e o Japão só resiste até hoje por causa de sua tradição forte e tentativas inteligentes, como exportação de sua cultura tradicional e ensinamento de sua tradição para as novas gerações por animes, mangás e jogos.
Esse encurtamento de fronteiras ainda causa problemas mais graves que vão além da perda de identidade de uma nação. As pessoas mesmas se confrontam com um mundo menos fundamentalista e mais científico, os mitos e crenças são questionadas, a tecnologia e a ciência começam a se tornar novos dogmas que ditam a doutrina de como agir, alimentar e viver. Cada individuo começa a se tornar mais uniformizado através da mídia da moda global e regras de etiqueta ditadas por varias nações consideradas “finas”, logo você segue padrões de roupa e jeitos que impedem que um próprio, espontâneo, lhe aflore, se consegue tal coisa, corre o risco de ser discriminado como excêntrico, mas se não corre esse risco, acaba por si só sentindo uma falta de personalidade, bem estar consigo mesmo, não consegue viver como deseja, alguns acabam cedendo e vivendo amargurados, contudo, na “moda”, outros liberam suas identidades e vivem felizes, mas por vezes excluídos, outros preferem a morte e se suicidam, eis suas três opções no sistema capitalista de globalização. Qual você prefere?
Com os mitos e crenças ao chão, as pessoas correm atrás de seus direitos, homossexuais, mulheres, jovens, filhos... As famílias que foram criadas desde o inicio seguindo ritos e preceitos naturais, quer se reestruturar sem mudar. As mulheres querem sair para trabalhar como seus maridos, as crianças buscam a própria identidade e o individualismo, querendo direitos, mesmo para com os pais, que até pouco tempo eram tidos como “ditadores bondosos”. As mulheres mais livres realizam atos extraconjugais, ferem os maridos e a família a qual muitas vezes acaba por se desintegrar, lembrando que para os homens também ocorre esse fato. A busca de trair ainda é uma conseqüência da consciência capitalista de quantidade é melhor que qualidade, produção em massa em visão de mais lucro.Por último, outro dano da globalização se encontra no momento em que a busca de maior produção em menos tempo, que logicamente consome mais matéria prima para energia, causa danos ao meio ambiente interferindo no ciclo de funcionamento global, como ciclo da água, ciclo do carbono e cadeia alimentar. Essa busca por capital e a diminuição das fronteiras fazem com que haja exploração descontrolada da natureza em nível global. Mesmo a natureza “intocada” hoje, é assim por capricho do homem, e ela permanece vigiada, mesmo que por satélite. Atualmente a natureza vem revidando, mas como parar? Como deixar de comprar o carro do ano? Como parar de produzir? Como estagnar e trocar de cultura tão rapidamente para evitar um colapso global? O ser humano veio globalizando sua degeneração e a do mundo e tudo corre tão rápido que um clique de um mouse na Argentina pode derrubar várias nações na outra parte do globo economicamente, deixando-as na mais pura miséria social. E dessa forma que atacamos com agilidade a natureza, devemos parar e remodelar a sociedade. É contraditório destruir o ciclo natural das coisas em alta velocidade, parar perto do colapso e querer que a natureza espere, vagarosamente, nos acostumarmos com um novo tipo de vida, não acha?

RELACIONANDO A IMPORTÂNCIA POLÍTICA DA CAPITAL COM A TRANSFERÊNCIA PARA BRASILIA E A DECADÊNCIA ECONOMICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
O Brasil já possuiu três localidades diferentes para sua capital, a primeira foi em Salvador, em seguida foi o Rio de Janeiro e por fim mudou-se para Brasília no Distrito Federal, aonde permanece até os dias atuais.Quando a capital realizou sua última mudança houve um repúdio da população. O Rio de Janeiro era como o centro do Brasil, ele era a vitrine da cultura brasileira, mudar a capital para o meio do
Brasil não foi tão bem aceito, entretanto, essa intenção de interiorizar a capital é de há muito cogitada. O primeiro a propô-la, fora Marquês de Pombal, em 1761. Em seguida foi Hipólito José da Costa, fundador do Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro, editado em Londres. Em 1813 ele redigiu artigos em defesa da interiorização da capital do país, pois seria mais benéfica estando próxima às vertentes dos caudalosos rios que se dirigem para norte, sul e nordeste, além de citar a questão de segurança nacional, ele dizia que a capital estando no litoral estaria vulnerável a ataques estrangeiros. Esse argumento militar-estratégico influenciou os primeiros republicanos e os militares após a 2º Guerra Mundial. Em 1823 foi a vez de José Bonifácio de Andrada e Silva, Patriarca da Independência, que foi a primeira pessoa a se referir à futura capital do Brasil como “Brasília”.Desde a primeira constituição republicana, de 1891, constava um dispositivo que previa a mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o interior do país e neste mesmo ano foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, liderada pelo astrônomo Luís Cruls e integrada por médicos, geólogos e botânicos, que fizeram um levantamento sobre a topografia, clima, geologia, flora, fauna e recursos da região do Planalto Central e foi apresentada ao Governo Republicano em 1894.
Em 1922 uma comissão do Governo Federal escolheu uma localidade situada no cerrado goiano para a futura capital, mas o projeto não foi para frente. Contudo, em 4 de abril de 1955 Juscelino Kubitschek, mineiro recém-eleito Presidente da República, prometeu levar adiante a idéia.
“…comprometeu-se a ser o último a entrar no Catete: (…) durante um comício em Jataí, Goiás, ele prometeu construir uma nova capital federal no Planalto Central, em pleno cerrado, e inaugurá-la antes do fim de seu mandato. Além do alcance simbólico – a fundação de um Brasil moderno – Brasília deve facilitar a integração do território nacional, reequilibrar o espaço em beneficio do interior e estimular a economia brasileira.”(ENDERS, Armelle, História do Rio de Janeiro; 2008, pág.271)
Assim o plano de Juscelino se consolidou em 21 de abril de 1960, com a ajuda especial dos talentos do arquiteto Oscar Niemeyer e de Lucio Costa. Mas apesar de a cidade ter sido construída em tempo recorde, a transferência da infra-estrutura governamental só ocorreu durante os governos militares por Castello Branco. Juscelino até tentou fazer a transferência simbólica da capital do Rio para Brasília fechando os portões do Palácio do Catete, então transformado em Museu da República, às 9 da manha do dia 21 de abril de 1960, ao que a multidão reagiu com aplausos.A idéia da mudança da capital demorou para se consolidar, pois na mente popular, o Rio que servia de capital há aproximadamente dois séculos e como vitrine aos povos do exterior, não tinha como deixar de sê-lo para uma cidade recém-erguida e pouco habitada em um lugar tão distante. Jânio Quadros e João Goulard (vulgarizado de “Jango”), ainda mantinham parte da administração infra-estrutural do governo no Rio, todavia o golpe militar, ocorrido no Rio de Janeiro, em 1964, retomou e concluiu a organização e transferência total da capital para Brasília.
Em resumo, os motivos para a transferência foram quatro:

2º - Devido a fatores históricos e econômicos, a população brasileira concentrou-se na faixa litorânea ficando o interior do país pouco povoado e economicamente esquecido. Assim a transferência da capital para o interior forçaria deslocamento de um contingente populacional e a abertura de rodovias, o que levaria a uma maior integração econômica.
3º - JK falava de Brasília como símbolo de um Brasil novo, modernizado. Com Brasília como capital, introduzindo nela o capital estrangeiro e permitindo a entrada em larga escala de multinacionais o Brasil começou a mudar sua face rural para predominantemente urbano-industrial. Como se a capital fosse um exemplo a ser seguido pelas demais cidades brasileiras.
4º - E por fim, a mudança é encarada como um movimento político, pois o Rio de Janeiro possuía uma forte pressão demográfica e o Presidente ficava muito próximo da população, o que seria danoso em manifestos do povo. Ali o governo ficava mais sujeito às pressões populares, mas Brasília era no interior do Brasil e inicialmente quase inabitada.

Os problemas gerados ao Rio de Janeiro com a mudança da capital também devem ser levados em conta. Primeiramente, a intenção de construir uma nova cidade, mobilizou as empresas do Rio a mudar-se para Brasília, aonde mais próximos lucrariam ajudando a erguê-la, muitas abandonaram o Rio, um exemplo bem claro disso é a Avenida Brasil que liga São Paulo ao Rio como uma artéria. No inicio ela tinha fábricas, empresas e comercio pequeno a sua volta, logo empresas começaram a fechar ou a mudar-se, favelas surgiram nos terrenos e fabricas foram abandonadas. A Avenida acabou-se por se tornar extremamente perigosa pela violência urbana.
As principais atividades econômicas de uma capital foram levadas para o Planalto Central e houve a mobilização das empresas. Se não bastasse, o Plano de Metas de Juscelino para com a nova capital (“50 anos em 5”) e o inserir de capital estrangeiro no Brasil pelos militares (como para construir a Ponte Costa e Silva, conhecida também como Rio - Niterói), criaram uma monstruosa inflação que causou instabilidade em nossa economia, levando mais fábricas, não só do Rio de Janeiro, mas em todo o país, à falência e a população ao caos.Hoje em dia a economia foi recuperada, a inflação reduziu-se satisfatoriamente e Brasília começou a ser mais aceita pela nova geração, todavia, o Rio continua com fábricas falidas, abandonadas e crescente pressão demográfica de favelas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008
OS ESTUDANTES E SUAS IDIOSSINCRASIAS
Que grupo melhor a ser dissertado, quando se procura escolher um grupo aonde as pessoas se socializam, do que o de estudantes? Esse o qual se encontra em todas as instituições de ensino e reúne membros dos grupos mais diversos, sociabilizando (permitindo que haja interação social) e socializando (forçando uma interação) esses membros que têm suas próprias redes sociais e acabam por vários motivos entrando em estado de socialização. Aqui trataremos não de um grupo de estudantes de uma única faculdade ou escola, em qualquer lugar se encontrará o mesmo sistema de união de estudantes, tanto em cursos de idiomas e escolas quanto em pré-vestibulares e faculdades.Ø Tópico 1: As “Panelinhas”
A exemplo da sociabilidade provida dentro da instituição de ensino está o famoso sistema de “Panelinhas”, palavra com a denotação de um grupo formado por estudantes em uma escola, normalmente mais restrita a uma turma de mesma série/período, que se exclui dos demais.
A sociedade torna indispensável o ensino, em especial a escola fundamental e média, tanto para que aquela pessoa tenha um conteúdo básico para tanto ingressar em uma vida economicamente ativa de boas condições como para ser criado nela conceitos e meios de entender melhor o mundo, como é o caso e finalidade de ciências humanas. Assim, todo tipo de pessoa vai em busca de construir uma vida melhor no futuro, mesmo que forçadamente pela família e responsáveis.
Punks, rappers, pobres, ricos, rpgistas, góticos, pagodeiros, roqueiros, otakus, neonazistas, amantes de fuscas, de jipes, funkeiros, nerds, bagunceiros, músicos, românticos, brutos, pessoas mais velhas e mais novas, pitty boys e patricinhas… toda uma sorte de pessoas é encontrada no meio acadêmico juntos, são pessoas que mesmo considerando-os não como indivíduos, mas como membros de próprias redes de coletividade são de jeitos, formas, modas, idiossincrasias, crenças, conceitos, idéias, capacidades mais ou menos afloradas e talentos em toda uma divergência que a probabilidade da vida pode oferecer, se reúnem em um pequeno espaço no mundo forjando uma socialização forçada ou indutiva.
Em um espaço pequeno como o escolar, o normal no inicio é a seleção e o estranhamento. Começa uma busca angustiante de defeitos e vantagens sobre cada pessoa, daí virá a próxima etapa aonde cada um procurará se socializar formando seus próprios grupos, meios aonde se reúnem pessoas de jeitos, formas, modas, idiossincrasias, crenças, conceitos, idéias, capacidades e talentos similares, idênticos ou em comum. Em alguns casos esses grupos irão se isolar, por todas suas características não serem solidárias às dos demais grupos, e assim forma-se a “panelinha”; em exceções aonde todos os grupos se unem é quando várias personagens possuem jeitos adaptáveis, o que as fazem movimentar-se pelos grupos, sendo assim, cria uma espécie de ligação em rede entre cada rede coletiva já existente, havendo interação entre os grupos até que seja difícil definir as fronteiras de cada grupo ou simplesmente rompê-las. Essa busca frenética por pessoas que pensam e agem de forma semelhante é forjada pela sociabilidade individual e do ambiente, como que um instinto de sobrevivência, buscando margens de acomodação aonde possua relações amigas para auto-proteção, como parceiros para desabafar, lhe proteger, ser protegido e até para simplesmente não permanecer solitário em tempos vagos.
As instituições de ensino possuem recursos que ajudam na socialização dos alunos, forçando cada um a desenvolver sua sociabilidade com os demais, e algumas chegam a ter métodos que enfraquecem essas “Panelinhas”.
Ø Tópico 2: A Hora do Intervalo/Recreio
As instituições de ensino possuem cada qual um método para desenvolver a criança. A escola é uma etapa fundamental na vida de uma pessoa, ela tem o dever de disciplinar seu comportamento com regras de sentar-se na carteira, organização de caderno e respeito aos funcionários (autoridades de certa forma, logo se vê que a manipulação do governo sobre o coletivo já começando bem cedo), ela ainda forma para um futuro glorioso apartir do conteúdo acadêmico que formará o saber, as ciências humanas (como já citado) formará ideologias e conceitos na criança e a hora do recreio, intervalo ou até da merenda, como quiser chamar, é o momento de não apenas respeito do colégio aos direitos humanos do aluno, mas de deixar um tempo para que elas interajam entre si, lanchando juntas, conversando, discutindo, jogando futebol, cartas de pokémon, etc. e outras coisas que irão revelar sobre como é cada um e aproximará cada vez mais os estudantes, logo o intervalo cria uma socialização natural apartir da habilidade de sociar-se de cada individuo.
Ø Tópico 3: Trabalhos em Grupo
Outro método de socialização empregado nas instituições de ensino, mas com suas exceções, é a de trabalho em grupo. Neste método os alunos entram em contato com aqueles que não lhe atraíram em primeiro momento tendo que depender da personalidade, motivações, crenças, conhecimentos, posições e pensamentos de cada um daquele grupo, em busca de juntos chegarem a uma conclusão que resultará no trabalho desenvolvido. O significado desse “alcançar de ápice”, aonde as idéias entram em comunhão, é que essas idiossincrasias vão sendo filtradas de modo que cada membro encontre um ponto chave que combine as idéias. Se no começo você observava de longe e apartir de pré-conceitos você se aproximava ou não de alguém, agora sua atestação de conceitos se dava empiricamente, vendo de perto o pensamento de cada um, e a dependência individual a cada membro, leva a uma maior aproximação desses estudantes.
As competições são trabalhos em grupo mais fortes. Alguns colégios possuem gincanas em grupo, ou mesmo trabalhos em grupo com colocações e prêmios variados, do pior ao melhor, realizando assim uma motivação a cada integrante do grupo se unir mais ainda ao outro em nome da coletividade em busca do maior e melhor premio. Há então uma impactante idéia de busca de socialização forçada ao máximo em busca de um bem comum a todo esse grupo. Portanto, mesmo que você não goste do outro membro, deverão ser aliados leais se desejam ganhar o prêmio máximo, sendo que o resultado disso pode ser até tornar os dois mais compreensivos um com o outro ou acabarem por se identificarem entre si.
Ø Tópico 4: O Barzinho e as Festas
Tendo tomado uma dose de socialização impulsionada ou forçada, somada com a sociabilidade natural de cada um, a turma deverá, em tese, estar mais unida, mesmo que com “panelinhas” formadas, desse ponto crucial de interações ocorrem os programas de relacionamento, momento o qual a turma irá realizar um programa em coletividade para diversão, e aonde não haverá mais socialização, só a ação da sociabilidade. Em faculdades é comum quando o professor falta uma aula, há tempo vago, após o último dia de aula (normalmente sexta) ou quando o grupo de alunos “mata” aula, que esses estudantes dirijam-se para o bar mais próximo aonde bebem, comemoram, conversam, trocam experiências e idéias, assim há uma interação desse grupo social, e quando não ocorre em bares, ocorre o mesmo em festas, desde as juninas às de formatura.
Resumindo, pode-se dizer que os estudantes formam um grupo de membros com a maior sorte de crenças e jeitos, que deixam a vida e hobbies, de certa forma, de lado para conviverem em um centro acadêmico, para um fim, mas mantendo relações. A própria sala é um antro de seres das mais diversas culturas em prol de um único fim, nem que esse seja “passar de ano”.
Esses grupos formados e abastecidos com cultura, em especial a de ciências humanas, têm a capacidade de unir-se em defesa de crenças e conceitos, que muitas vezes a sociedade elitizada parece ignorar ou esquecer, buscando seus direitos e revolução. Um dos maiores grupos censurados e resistentes durante a ditadura do Brasil imposta apartir de 64 foram de estudantes, uma organização estudantil de nome é a UNE (União Nacional dos Estudantes).
Ø Tópico 5: Trote Escolar, A Polêmica
Por fim, não podemos deixar de tratar sobre um dos assuntos mais polêmicos quando falamos de estudantes e suas interações sociais: o trote acadêmico.
Surgido no país ibérico Portugal, na Universidade de Coimbra, sob o nome de Praxe Acadêmica, ela era uma espécie de ritual de iniciação aplicada pela Polícia Acadêmica, dona de uma jurisdição especial formada por alunos que estavam integrados em uma hierarquia de foro acadêmico definida apartir do maior tempo de permanência na instituição.
“O seu papel era o de zelar pela ordem no campus e fazer cumprir as horas de estudo e recolher obrigatório por alunos e professores, sob pena de prisão, sobrepondo-se. Também tinha a incumbência de evitar a entrada na faculdade dos habitantes da cidade que não fossem estudantes ou professores. Com estas responsabilidades, misturavam-se rituais de iniciação (ou "investidas"), para os novos alunos, recém-chegados - os caloiros ou "novatos" - à universidade, geralmente envolvendo atos de violência.”
Pouco conhecimento havia na época sobre esses acontecimentos, todavia, em 1727, graças à morte de um aluno pela utilização da Praxe, D. João V a proíbe. O Rei mandou que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos.
O trote é a forma brasileira de Praxe, e esta manifestação possui uma pesada polêmica sobre, pois é uma das coisas que é tão desejada por uns quanto temida por outros. Atualmente temos sido impactados com noticias e histórias das mais absurdas formas de trotes, tipos que levam as pessoas a cometer os piores crimes.
Há aqueles que consideram o trote como um rito de passagem, algo necessario na vida de cada um assim como o casamento, a formatura, o nascimento, as bodas de prata, etc., alguns destes ainda dizem que o trote seria um método inicial de interação social entre os alunos, mas há controvérsias. Por outro lado há aqueles que o considerem algo mais prejudicial, desnecessário e até fútil. Os trotes são classificados em quatro niveis, beneficentes, leves, moderados e graves, sendo o primeiro, um trote bem contemporaneo criado por algumas instituições, que se baseia apenas em coisas como arrecadar alimentos e roupas para necessitados; os leves são a nivel das brincadeiras de pintar a cara, aulas forjadas por veteranos e submeter-se a vontade dos veteranos; as moderadas são a de pedir dinheiro nos sinais de transito e ingerir saliva do veterano; as graves já são crimese atos condenaveis, como correr nu ou ingerir o vômito congelado em geladeira.
Em si o trote tem uma significancia de humilhação ao calouro, e sem prestar à vontade deles, o chamado “bixo” será excluido e ridicularizado pelo resto do curso. Uns gostam, encaram como experiencia bem vinda, outros temem, e por isso se prejudicam nas escolas e faculdades faltando a aula para tal, outros reagem com violencia.
Será que o trote é mesmo um meio de interação social necessario entre alunos? Será que os veteranos fazem por esse proposito e não apenas por um humor negro de devassidão? O trote não deveria ser restrito apenas àqueles que desejam passar pelo ritual, deixando os demais fora desse problema, evitando, logo, prejuizos na faculdade ou piores, como crimes? Será a faculdade um local a ser temido de tal maneira, sendo ela com finalidade de produzir profissionais e conhecimentos e não rituais de passagem? O que se achar sobre o trote? Dos entrevistados por mim, cerca de 70% repudiam o trote, 2 têm a opinião que ele deveria ser abolido sem chance de resquicios e 30% acham o trote necessario, interessante ou apenas “legal”… O que você acha desse rito de passagem que usa o conceito de metodo de interação social como desculpa para humilhar o próximo?
Ø Apêndice: Algumas Entrevistas
Nesta parte do trabalho eu entrevistei toda sorte de tipos de pensares e jeitos de estudantes e ex-estudantes em relação ao trote, como é uma parte enorme, vou postar apenas a parte da participação especial dos professores da faculdade Veiga de Almeida de Cabo Frio e colunistas do Jornal da mesma cidade, HORA CERTA, aonde, como lecionadores, irão expor seus sentimentos e posições ante ao trote acadêmico, pois é algo que em suas profissões que dificilmente seriam capazes de passar sem precensiarem tais eventos.
--JOSÉ FRANCISCO de MOURA (CHICÃO)
Professor da Universidade Veiga de Almeida, profissional na área há 12 anos e colunista do jornal interativo Hora Certa
SAMANOSUKE diz:
Primeiramente gostaria de saber sua posição quanto ao trote
José Francisco - Chicão - diz:
sou radicalmente contra quando houver qualquer forma de constrangimento
trote tem fortes elementos de comportamento fascista
SAMANOSUKE diz:
hmm... poderia explicitar sobre esse argumento de trote com elementos fascistas?
José Francisco - Chicão - diz:
Oprimir pessoas por elas estarem em estágios iniciais de qualquer atividade é um comportamento fascista travestido de desculpa de integração
SAMANOSUKE diz:
então você teria que opinião exata sobre o conceito de trote como meio de interação positiva?
José Francisco - Chicão - diz:
sim, através de doações de alimentos, festas, homenagens aos novos alunos, etc,, e não de constrangimento de qualquer tipo, como se apoderar de dinheiro contra a vontade do aluno, agressão física, agressão moral, agressão simbólica
SAMANOSUKE diz:
hmm... e seria a favor de uma lei que aprovasse o trote consciente, no qual você ao se matricular você assina um documento dizendo que deseja ou não participar do trote, sendo que se você não aceitar, tem proteção judicial caso seja ameaçado ou sofra de qualquer forma? Tendo inclusive indenização?
e claro, especificando que tipo de trote deseja levar se aceito, leve ou normal
se for tratado de forma diferente e provado por testemunhas, você estaria sob proteção judicial
José Francisco - Chicão - diz:
sim, sou a favor
SAMANOSUKE diz:
e por fim, já presenciou algum trote que lhe revoltasse ou criasse temor?
José Francisco - Chicão - diz:
Vários
SAMANOSUKE diz:
poderia nos contar um caso que marcou?
José Francisco - Chicão - diz:
quando cortaram os cabelos dos alunos na UERJ, quando atiraram tinta em uma pessoa na UVA, quando obrigaram os alunos a andar só de cuecas na UFRJ
SAMANOSUKE diz:
nesse da UFRJ, qual era a punição para as garotas?
a mesma de andar de vestes intimas?
José Francisco - Chicão - diz:
Não
SAMANOSUKE diz:
bom, e o senhor já foi alvo de algum trote?
José Francisco - Chicão - diz:
tentaram, mas ameacei com porrada e não fizeram...rs...
cara, eu tinha cabelo comprido e quiseram cortar
SAMANOSUKE diz:
poderia me relatar o tratamento da turma após essa recusa?
José Francisco - Chicão - diz:
no início com indiferença, mas depois esqueceram
SAMANOSUKE diz:
indiferença de calouros e veteranos?
José Francisco - Chicão - diz:
Só veteranos
--JOÃO GILBERTO
Professor na Universidade Veiga de Almeida, no ramo profissional há cerca de 10 anos e colunista do jornal interativo Hora Certa.
SAMANOSUKE diz:
Qual sua opinião sobre o trote?
João Gilberto:
O trote é um ritual da sociedade. Particularmente, acho uma bobagem e perda de tempo.
SAMANOSUKE diz:
Qual sua opinião sobre o conceito de trote como interação social positiva?
João Gilberto:
Os rituais são sempre modalidades interativas, quanto ao seu caráter positivo ou não, depende de muitas circunstâncias. Mas eu já havia dito que considero uma perda de tempo.
SAMANOSUKE diz:
Você já presenciou alguma aplicação de trote que lhe deixou com revolta, receio ou temor?
João Gilberto:
Já. Foi numa faculdade. Os alunos ficaram receosos, eu conversei com o grupo do trote e consegui que eles se dirigissem a outras salas. Acabou em pancadaria, mas eu e meu grupo continuamos em sala debatendo, inclusive, o assunto.
SAMANOSUKE diz:
hmm... e seria a favor de uma lei que aprovasse o trote consciente, no qual você ao se matricular você assina um documento dizendo que deseja ou não participar do trote, sendo que se você não aceitar, tem proteção judicial caso seja ameaçado ou sofra de qualquer forma? Tendo inclusive indenização?
e claro, especificando que tipo de trote deseja levar se aceito, leve ou normal
se for tratado de forma diferente e provado por testemunhas, você estaria sob proteção judicial
João Gilberto:
Claro que não. Acho que o governo já se mete demais na vida das pessoas...
domingo, 4 de maio de 2008
BUSH & CONDI: AMERICAN NEW WAY OF LIFE

CONDI: Hu is the new leader of China.
CONDI: That's What I'm Telling you
CONDI: Yes.
CONDI: Hu
CONDI: Hu
CONDI: Hu
CONDI: Hu is leading China!
CONDI: I'm telling you Hu is leading China
CONDI: That's the man's name.
CONDI: Yes.
CONDI: Yes, sir.
GEORGE: Yassir? Yassir Arafat is in China? I thought he was in the Middle East.
CONDI: That's correct!
CONDI: yes, sir.
CONDI: No, sir.
CONDI: Yes, sir.
CONDI: No, sir.
CONDI: Kofi?
CONDI: You want Kofi?
CONDI: You don't want kofi?
CONDI: yes, sir.
CONDI: Kofi?
CONDI: And call who?
CONDI: Hu is the guy in China!
CONDI: Yes, sir!
CONDI: Kofi?
CONDI (pics up the phone): Rice is here!
segunda-feira, 21 de abril de 2008
O Governo Brasileiro e suas bolsas

Jesus ensina uma parábola
O JAPÃO É POP!!!!!! - PARTE 2: O PODER DO PIKACHU
Este texto é dedicado ao livro “Os Japoneses” de Célia Sakurai, aqui, na segunda parte, falaremos sobre a questão nacional quanto à como o anime, manga e demais produtos puramente japoneses alcançaram o coração do mundo infantil com símbolos, tornando o Japão POP!!!!
“Até aonde será que chega o poder do pikachu?”, eu pergunto. Pois vou mostrar-lhes que será tão longe quanto o dos megazordes dos Power Rangers! O Japão sempre tentou resistir a cultura exterior e valorizar a própria, na verdade, até o inicio da 2º Guerra, os japoneses tiveram seguindo o mito de serem descendentes diretos da Deusa Amaterasu e Izanagi e Izanami, como descendentes diretos de Deuses, o que os faziam de superiores aos outros povos. Com isso sempre foram muito unidos contra o mundo exterior, todavia, não eram coletivos apenas por isso, mas pela própria sociedade. As vilas eram formadas por uma comunidade de valores comunitários. Desde a manutenção de pontes quanto a lavoura era uma atividade de coletividade, e aqueles que não seguissem as regras da coletividade acabava por se tornar um homem marcado, mal-visto e que desonrava a família, perdendo terras e prestigio, como tentar casar com uma pessoa bem vista traria desgraça não só a sua família já desonrada, mas também para a da noiva. Até hoje há um grande nível de coletividade nipônica, como as crianças que saem de casa em grupos para ir à escola, as casas pequenas que aproximam os familiares e até fora do japão, entre os imigrantes há comunidades de apenas japoneses no brasil, um exemplo é a liberdade, e essas comunidades juntas lutarão por seus direitos. Numa casa há divisão de tarefas, como em certo dia um limpa os pratos, no outro o outro, depois o outro e assim por diante em um rígido código de disciplina familiar que depende sempre da ação de mais de um. Assim vemos como esse espírito não deixa sumir o mesmo que tinham os aldeões feudais.
Esse espírito de coletividade também fez do Japão uma nação que criou alguns maníacos (isso é, maníacos a nosso etnocêntrico visar). Da mesma forma que um Samurai respeitava e servia a um, e apenas um mestre em toda sua vida, sendo que se necessário em situações de não poder concretizar alguma tarefa ou perder a honra de outra forma, ele se suicidava, assim é o japonês. Essa ideologia dava ao povo japonês o pensamento de que eram uma nação poderosa e orgulhosa que NUNCA deve se render, uma norma do Bushido dos samurais, mesmo que para isso seja necessário a morte. O próprio samurai nunca deveria temer a morte, mas sim procurá-la, entregando-se ao combate sem medo ele seria capaz de proteger seu senhor e atacar sem receios. Os japoneses se identificam com sua nação como indivíduos coletivos que formam uma nação que nunca se rende, assim como eles próprios. Tanto que existiram os Kamikaze e o grande índice de suicídios quando a Guerra com EUA foi perdida, neste caso o próprio Imperador interveio indo contra a tradição se rendendo para parar o alto número de suicídio, nas colônias japonesas, ao ouvirem que haviam perdido, muitos japoneses mataram-se por não aceitarem a idéia. Mas o que isso tudo tem haver com pokémon, você pergunta. Pois quem assiste animes como One Piece, Naruto e Dragon Ball sabem bem do que falo quanto a prezar pela vida coletiva.
Você sabia que você encontra as normas samurais do bushido tanto no anime do Pokémon quanto em um jogo de rpg de mesa ou joguinho de game boy? Pois é, os japoneses tornaram-se grandes mestres nas artes de preservar seu passado. Ele foi globalizado, mas conseguiu preservar sua cultura. O Budismo e Xintoísmo são, ainda, as religiões mais comuns entre japoneses dentro e fora do arquipélago, não o catolicismo ou protestantismo; eles cultivam a idéia de honra e coletividade; criaram imagens para o mundo para ser rotulado como original; exporta culinária típica que poucos conseguem igualar; ensina artes de combate próprias, e logo ele tem uma identidade. Quando iniciou a globalização do Japão, eles perceberam o perigo de perder sua cultura, mas então reforçaram pelas empresas e a mídia escolheu aquilo que haveria de exportar. O próprio Samurai, ser de honra plena que nunca se rende se tornou o grande exemplo.
Com os animes não é diferente, ele dá uma moral por trás de cada história ou tem algo oculto pelas entrelinhas. O público mundial, e principalmente japonês, amou ver as aventuras de Godzilla, a iguana marinha que mutou biologicamente por radiação e que atacava Tóquio dizimando inúmeros moradores da cidade. Uma óbvia critica a bomba atômica lançada sobre Nagasaki e Hiroshima. Logo depois aparece o filme aonde o monstro enfrenta King Kong na torre de Tóquio, uma alusão ao que acontecia no fator econômico com os EUA na época. Samurai X, Samurai Champloo, Afro Samurai e Lobo Solitário contrastam com os cavaleiros medievais, reportando os personagens japoneses como espadachins em busca da honra e não cavaleiros atrás de dragões.Moranguinho e Hello Kit exploram o mercado voltado para a fantasia das meninas, sem reduzi-las a imitação de adultas consumistas e de seios grandes que só pensam em garotos e roupas. Até mesmo assistir Sakura Cardcaptor mostra a divisão de trabalho, como tirar giz do apagador,
limpar a sala de aula e até fazer comida. Sem contar que tanto esse anime, quanto Guerreiras Mágicas de Rayearth e outros feitos somente para meninas quebram com o clichê europeu de o mocinho que salva a mocinha do vilão, afinal, as meninas já deviam estar cansadas de serem sempre as fracas e em perigo. As meninas não se contentam em ser mais ajudante ou namoradinha do herói, as garotas sabem lutar ao lado dos rapazes e muitas vezes salvando-os.No anime Sailor Moon, aspectos da cultura japonesa, como respeito ao passado e à hierarquia, são retratados nas aventuras das meninas pré-adolescentes. Embora as personagens se vistam de maneira igual, usando saias curtas e cabelos estilo maria-chiquinha, e aparentando frágeis e inocentes, são guerreiras de grandes poderes que enfrentam monstros (que alguns dizem ser representação dos inimigos do Japão no mundo econômico representado). Cada uma ainda traz ao público a representação da cultura japonesa: uma estudiosa, a outra, dona de casa e a terceira, uma sacerdotisa xintoísta. Sem contar a ligação com normas do bushido, em relação à lealdade, possuindo a Rainha Sailor Moon como mestra, assim como tiveram os samurais. E colocam outros ensinamentos do bushido, como a união de grupo, lutar por um objetivo sem temer a morte, lealdade e coragem.
Quando desenhos como Cavaleiro do Zodíaco, pokémon, One Piece, Bleach, Naruto, Dragon Ball ou até Get Backers narram histórias de companheiros em busca dos seus objetivos, a mensagem intrínseca é do valor do coletivo, um reforço ao ideal japonês do associativismo. E em analogia, vejamos como o pikachu é similar a um samurai. No código do bushido há o ensinamento do aprimoramento, nenhum homem se torna samurai da noite para o dia, ele treina, e treina, e treina, ganha experiência em lutas para assim conseguir “evoluir” para o merecimento de ser chamado de samurai, assim como um pokémon não evolui sem merecer e sem guardar respeito e obediência ao seu dono que o treina e diz o que fazer, como um mestre da era pré-Tokugawa.Nos próprios vídeo-games você se vê preso em um monte de obstáculos que devem ser resolvidos para que você proceder, e para isso você precisa se sacrificar procurando poderes e habilidades que alguém (lembrando dos mestres dos samurais) irá lhe ensinar. Às vezes o mesmo jogador joga de novo e de novo até ser o melhor e colocando mais dificuldade a cada momento. Quem que jogou game boy do pokémon e nunca se pegou ficando horas a fio, dias, meses, anos tentando evoluir todos os pokémons ao máximo e colecionar todos?
A cultura japonesa foi salva graças a esses movimentos dos animes, pois apesar da massiva cultura capitalista que globaliza e anula a cultura original, o Japão fez pela cabeça dos jovens um meio para que nunca se perdesse a tradição. Pelo mundo a fora os animes passam mensagens dos conceitos nipônicos. Em animes que mostram a atualidade mostra famílias que fazem o amém japonês antes de comer, que é o “Itadakemasu”; outros revelam como funciona uma escola, com alunos que se preoculpam em limpar a sala de aula (coletivismo); outros, como pokémon e Dragon Ball aonde há um mestre que ensina discípulos que se esforçam para alcançar um objetivo tornando-se mais fortes emocional e fisicamente, que são dogmas do bushido; Sakura, Guerreiras Mágicas e Sailor Moon fazem na cabeça das meninas que elas podem ser tornar heroínas na vida também, e não só namoradinhas peitudas do mocinho que sempre precisa salvá-las; One Piece, Naruto e demais animes de personagens em grupo mostram a idéia da importância do coletivismo; animes que passam no período feudal, são como filmes que trazem ao presente o passado de tradições, como Samurai X que mostra como era o passado em si ou Inu-Yasha que mostra alguns seres da mitologia japonesa (que devo salientar sobre sua grande riqueza); e há ainda os famosos animes de robô gigante ou tecnologia avançada, como Escaflowne, Gundam Wing, Evangelion e Fullmetal Panic, aonde mostra ao mundo o poderio e avanço tecnológico nipônico ante ao mundo, além de serem famosos pela escola de megatrônica. Alego ainda que um anime bobo como Speed Racer, ainda mostra o avanço automobilístico japonês. O mais incrível que conseguiram chegar, foi contagiar e disseminar sua cultura através do mundo, assim como em todo o mundo já ouviu pelo menos falar de Madonna (cultura norte-americana), é impossível uma pessoa em qualquer parte com mínimo de cultura não ser capaz de dizer o nome de um único anime ou mangá. Sendo que essa expansão, leva muitos habitantes de outros países a venerar a cultura nipônica (um deles sou eu ^^), esses vão em busca de saber mais, aprender o idioma (tarefa difícil, devo salientar), assistir vários animes e até fazer cosplays!!!! O Japão agora é popular, ou melhor falando, graças ao PODER DO PIKACHU, o Japão é POP!!!!!

domingo, 20 de abril de 2008
O JAPÃO É POP!!!!!! parte 1: RESISTENCIA AO MUNDO
- parte 1: RESISTENCIA AO MUNDO -
Este texto é dedicado ao livro “Os Japoneses” de Célia Sakurai, aqui falaremos sobre a questão nacional quanto à como resistiram à cultura exterior em sua história e como o País-Arquipélago se tornou POP!!!!
Samurais, hashi (palito japonês que usam ao invés de talher), animes, teatro Kabuki, shishi, yakisoba, nanotecnologia, mangas, sake… Lendo isso você se lembrou de que país? Pois se lembrou do Japão, por que será? Veja a cultura brasileira, faça como o Japão e fale algo único do Brasil. O futebol? Não, ele foi criado nas ilhas britânicas e até na Angola há jogadores de futebol de bom nível, a cerveja? Não, os gregos já faziam. O carioca? Perdão, mas ele é mistura de várias pessoas de fora. Os índios então? Quais? Aqueles que sobrevivem no Brasil sendo assalariados e acreditando no animismo do capital, comprando roupas de marca? Engaçado né? Se pararmos para pensar, nós sabemos mais sobre o que poderia definir o Japão do que nós mesmos! Sabe como isso se chama? GLOBALIZAÇÃO!
Essa globalização pareceu uma ótima idéia de início, aonde você poderia encontrar os mais diversos produtos exóticos pelo mundo, poderia comer comida tailandesa ao lado de uma loja de calçados norte-americanos, enquanto assiste um noticiário argentino que fala sobre os acontecimentos na Índia através de uma televisão de plasma japonesa. Mas até aonde isso é benigno? Todos nós perdemos nossa nacionalidade, não somos mais do Brasil ou da América do norte ou da França, nós somos do mundo! Aqueles que tiveram a sorte de não serem colonizados desenvolveram culturas próprias sem influência massificada, você olha para Alemanha e lembra de Hitler, Volkswagen e cerveja. Olha para a Rússia lembra da catedral de São Basílio em Moscou e a União Soviética. Mas e ao olhar para o Brasil? Sim, no âmago ele possui uma diferença, mas são tão pequenas que é difícil montar uma identidade original. O Japão, pelo contrario, foi um país que por prezar tanto por suas tradições que conseguiu ter sua identidade intacta.
A primeira ocorreu em 1543 d.C., quando naus portuguesas chegaram à Nagasaki e começaram a realizar comércio. Como na época a Igreja Ocidental estava no momento de busca de expansão, Jesuítas, sob missão de evangelizar os japoneses, foram enviados ao arquipélago. Com o tempo, arrecadaram muitos nativos nipônicos, o que causou certo temor nas pessoas que sempre cultivaram religiões como o budismo, xintoísmo e a cultura zen. Largando o budismo e o xintoísmo era uma afronta à honra da família e antepassados, pois o budismo fala de reencarnação, o catolicismo fala de reencarnação e o xintoísmo fala de tradição de respeito às almas dos ante passados. Quando viu sua nação em perigo, o Japão deu um limite de tempo para que os estrangeiros saíssem, fechou os portos para o mundo exterior e promoveu uma campanha de aniquilação dos católicos ainda presentes no país. Muitas imagens de Nossa Senhora foram destroçadas pelos Japoneses, pois por mais que a cultura ocidental fosse interessante em sua pregações, eram um perigo tremendo à tradição nipônica. Os japoneses realizaram uma espécie de Inquisição contra Igreja católica, que há nações dali, fazia o mesmo com outras religiões.
A segunda foi menos bem sucedida no combate. Com o início da globalização, o Japão cedeu e abriu novamente seus portos no Período Meiji, realizando um tratado de amizade com os Estados Unidos, Grã-Bretanha e o Império Russo. Agora ele importava culturas diferentes, como o caso de brinquedos, aonde importavam brinquedos europeus, mas com o início da 1º Guerra Mundial, as manufaturas européias entraram em crise, então ele mesmo passou a exportar brinquedos, ingressando no mercado mundial assim. Suas exportações de brinquedos triplicaram nesse período.
Quando a Europa retomou seu fôlego, as empresas japonesas tiveram de aprimorar sua criatividade. Uma delas foi a Nintendo, fundada em 1889.
Em termos de concepção de brinquedos, os japoneses se igualavam com os norte-americanos, tratavam crianças como crianças, não pequenos adultos. Na Europa, pelo contrário, possuía os bonequinhos populares de soldadinhos, como tentando fazer a criança brincar com a guerra e se preparar moralmente para ela. O Japão promoveu uma busca pelo fantástico. Após a 2º Guerra Mundial, os japoneses adquiriram grande prestígio no mundo infantil.
“Quem nunca ouviu falar nos pokémons ou em Godzilla? Gostando ou não, são personagens que marcaram a vida de mais de uma geração dentro e fora do japão. Os Mais velhos viram Godzilla e acabam conhecendo pokémon através dos filhos. Nas últimas décadas, os heróis vindos do Japão se rivalizam em popularidade com os de Walt Disney (Turma do mickey), Warner Bros (Turma do pernalonga), Hanna Barbera (criaram o Scooby-Doo e Zé Colméia) e Marvel (Batman e Capitão américa).”
(Sakurai, Os Japoneses; 2000, pág.342)
A Industria Japonesa movimentou-se muito mais no ramo infantil. Pois com a fama criada por suas séries e desenhos, desenvolveu empresas especializadas em poder deixar os “Heróis Japoneses” junto às crianças através de bonequinhos de plástico, estampas de camisas, mochilas, copos, capas de cadernos, lapiseiras etc.
Mas além de Godzilla, pokémon, Power ranger, Ultraman e outros, o Japão também agrada as meninas. Antes desses heróis aparecerem, as meninas já se deliciavam com chaveirinhos da Hello Kit e da Moranguinho, mesmo sem saberem que eram produtos criados no Japão. “O Japão do pós-guerra entra no mundo do consumo pela porta dos eletrônicos, dos automotores e também pela porta do entreterimento”.
Logo o Japão contagiou o mundo com a sua cultura e através dela mostrou valores que a sociedade ocidental desconhecia. Através de animes foi capaz de mostrar ao mundo sua concepção de coletividade e a importância que dão, mesmo nesse mundo individualista, alem da concepção de deus, bem, mal etc. O que contém nos animes fica para a Parte 2!!!
sexta-feira, 18 de abril de 2008
"Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo."
JOSEPH CAMPBELL
CAMPBELL: Porque é sobre isso que vale a pena escrever. Mesmo nos romances populares, o protagonista é um herói ou uma heroína que descobriu ou realizou alguma coisa além do nível normal de realizações ou de experiência. O herói é alguém que deu a própria vida por algo maior que ele mesmo.
MOYERS: Então, em todas essas culturas, qualquer que seja a vestimenta particular que o herói esteja usando, em que consiste a proeza?
CAMPBELL: Bem, há dois tipos de proeza. Uma é a proeza física, em que o herói pratica um ato de coragem, durante a batalha, ou salva uma vida. O outro tipo é a proeza espiritual, na qual o herói aprende a lidar com o nível superior da vida espiritual humana e retorna com uma mensagem.
A façanha convencional do herói começa com alguém a quem foi usurpada alguma coisa, ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais franqueadas ou permitidas aos membros da sociedade. Essa pessoa então parte numa série de aventuras que ultrapassam o usual, quer para recuperar o que tinha sido perdido, quer para descobrir algum elixir doador da vida. Normalmente, perfaz se um círculo, com a partida e o retorno.
Mas a estrutura e algo do sentido espiritual dessa aventura já podem ser detectados na puberdade ou nos rituais de iniciação das primitivas sociedades tribais, por meio dos quais uma criança é compelida a desistir da sua infância e a se tornar um adulto – para morrer, dir se ia, para a sua personalidade e psique infantis e retornar como adulto responsável. E essa é uma transformação psicológica fundamental, pela qual todo indivíduo deve passar. Na infância, vivemos sob a proteção ou a supervisão de alguém, entre os quatorze e os vinte e um anos – e caso você se empenhe na obtenção de um título universitário, isso pode prosseguir talvez até os trinta e cinco. Você não é, em nenhum sentido, auto responsável, um agente livre, mas um dependente submisso, esperando e recebendo punições e recompensas. Evoluir dessa posição de imaturidade psicológica para a coragem da auto responsabilidade e a confiança exige morte e ressurreição. Esse é o motivo básico do périplo universal do herói – ele abandona determinada condição e encontra a fonte da vida, que o conduz a uma condição mais rica e madura.
MOYERS: Mas os heróis não são todos homens?
CAMPBELL: Oh, não. O macho tem normalmente o papel de destaque apenas por causa das condições de vida. Ele está lá fora, no mundo, e a mulher está em casa. Mas entre os astecas, por exemplo, que dispunham de vários céus, para onde as pessoas iam de acordo com a morte que tivessem, o céu dos guerreiros mortos em batalha é o mesmo das mães que morrem em trabalho de parto. Dar à luz é incontestavelmente uma proeza heróica, pois é abrir mão da própria vida em benefício da vida alheia.
MOYERS: Você não acha que perdemos essa verdade, na nossa sociedade, ao considerarmos mais heróico partir para o mundo e fazer dinheiro do que ficar em casa cuidando dos filhos?
CAMPBELL: Fazer dinheiro provoca mais repercussão. Você deve conhecer o adágio: Se um cão morde um homem, isso não é nada; mas se um homem morde um cão, isso dá uma história sensacional. Assim, aquilo que acontece repetidas vezes, por mais heróico que seja, não é novidade. A maternidade deixou de ser notícia, dir se ia.
MOYERS: Qual é o significado das provações, dos testes, das experiências penosas do herói?
CAMPBELL: Se você colocar as coisas em termos de intenções, as provações são concebidas para ver se o pretendente a herói pode realmente ser um herói. Será que ele está à altura da tarefa? Será que é capaz de ultrapassar os perigos? Será que tem a coragem, o conhecimento, a capacidade que o habilitem a servir?
MOYERS: Na nossa cultura de religião fácil, atingida sem esforço, parece que esquecemos que as três grandes religiões ensinam que as provações da jornada heróica são parte significativa da vida, e que não há recompensa sem renúncia, sem pagar o preço. O Alcorão diz: “Você acha que pode ter acesso ao Jardim das Delícias sem passar pelas mesmas provações daqueles que o antecederam?” E Jesus diz, no Evangelho de São Mateus: “Grande é a porta e estreito o caminho que conduz à vida, e poucos os que o encontram”. E os heróis da tradição judaica e nfrentam duros testes antes de chegar à redenção.
CAMPBELL: Ao se dar conta do verdadeiro problema – perder se, doar se a algum objetivo mais elevado, ou a outrem – você percebe que essa, em si, é a provação suprema. Quando deixamos de pensar prioritariamente em nós mesmos e em nossa auto-preservação, passamos por uma transformação de consciência verdadeiramente heróica.
E todos os mitos lidam justamente com a transformação da consciência, de um tipo ou de outro. Você vinha pensando de um certo modo, agora tem de pensar de um modo diferente.
MOYERS: Como é que a consciência se transforma?
CAMPBELL: Ou pelas próprias provações ou por revelações iluminadas. Tudo gira em torno de provações e revelações.
MOYERS: Não existe um momento de redenção em todas essas histórias? A mulher é salva do dragão, a cidade é poupada da destruição, o herói se livra do perigo na hora H.
CAMPBELL: Bem, sim. Não haveria proeza heróica se não houvesse um ato supremo de realização. Eventualmente pode acontecer de um herói fracassar, mas este será normalmente representado como uma espécie de palhaço, alguém com pretensões além do que pode realizar.
MOYERS: O heroísmo tem um objetivo moral?
CAMPBELL: Existe um certo tipo de mito que pode ser chamado de busca visionária, partir em busca de algo relevante, uma visão, que tem a mesma forma em todas as mitologias. E o que tentei mostrar no primeiro livro que escrevi, O herói de mil faces. Todas essas diferentes mitologias apresentam o mesmo esforço essencial. Você deixa o mundo onde está e se encaminha na direção de algo mais profundo, mais distante ou mais alto. Então atinge aquilo que faltava à sua consciência, no mundo anteriormente habitado. Aí surge o problema: permanecer ali, deixando o mundo ruir, ou retornar com a dádiva, tentando manter se fiel a ela, ao mesmo tempo em que reingressa no seu mundo social. Não é uma tarefa das mais fáceis.
MOYERS: Então o herói é movido por alguma coisa, ele não vai em frente apenas por ir, não é simplesmente um aventureiro.
CAMPBELL: Existem heróis das duas espécies, alguns escolhem realizar certa empreitada, outros não. Num tipo de aventura, o herói se prepara responsavelmente e intencionalmente para realizar a proeza. Por exemplo, Atena ordenou a Telêmaco, filho de Ulisses: “Vá procurar o seu pai”. Essa busca do pai é uma aventura heróica superior, para os jovens. E a aventura de procurar o seu próprio horizonte, a sua própria natureza, a sua própria fonte. Você se compromete nisso intencionalmente. Ou existe a lenda sumeriana da deusa do céu, Inanna, que desceu aos mundos subterrâneos e enfrentou a morte para trazer seu amado de volta à vida.
Depois existem aventuras às quais você é lançado – como alistar se no exército, por exemplo. Não era sua intenção, mas de repente você se vê ali. Você enfrentou morte e ressurreição, vestiu um uniforme e se tornou outra criatura.
Uma figura de herói que aparece com freqüência nos mitos célticos é a do príncipe caçador, que foi atraído pela astúcia do cervo a um canto da floresta onde nunca havia estado antes. O animal passa então por uma transformação, tornando se a Rainha da Colina das Fadas, ou algo parecido . É o tipo de aventura em que o herói não tem idéia do que está fazendo, mas de repente se surpreende num mundo transformado.
MOYERS: O aventureiro que se envolve nesse tipo de situação é um herói, no sentido mitológico?
CAMPBELL: Sim, porque ele está sempre pronto para enfrentar a situação. Nessas histórias, a aventura para a qual o herói está pronto é aquela que ele de fato realiza. A aventura é simbolicamente uma manifestação do seu caráter. Até a paisagem e as condições ambientes se harmonizam com sua presteza.
MOYERS: Hoje parece que reverenciamos celebridades, não heróis.
CAMPBELL: Sim, e isso é muito mau. Certa vez foi feita uma pesquisa numa escola secundária do Brooklin, que perguntava: “O que você gostaria de ser?” Dois terços dos estudantes responderam: “Uma celebridade”. Eles não tinham noção da necessidade de dar a si próprios a fim de realizar alguma coisa.
MOYERS: Só queriam ser conhecidos.
CAMPBELL: Só queriam ser conhecidos, ter fama – nome e fama. Isso é muito mau.
MOYERS: Mas uma sociedade precisa de heróis?
CAMPBELL: Sim, penso que sim.
MOYERS: Por quê?
CAMPBELL: Para seguir algum rumo. A nação necessita, de algum modo, de uma intenção, a fim de atuar como um poder uno.
MOYERS: Às vezes me parece que devemos ter pena do herói e não admiração por ele. Muitos deles sacrificaram suas próprias necessidades em benefício dos outros.
CAMPBELL: Todos o fizeram.
MOYERS: Não é verdade que muitos heróis mitológicos morrem para o mundo? Eles sofrem, são crucificados.
CAMPBELL: Muitos doam suas vidas. Mas então o mito afirma que da vida sacrificada nasce uma nova vida. Pode não ser a vida do herói, mas é uma nova vida, um novo caminho de ser, de vir a ser. A história de Jonas na barriga da baleia é um exemplo de tema mítico praticamente universal: o herói é engolido por um peixe e volta, depois, transformado.
MOYERS: Por que o herói precisa fazer isso?
CAMPBELL: É uma descida às trevas. Psicologicamente, a baleia representa o poder de vida contido no inconsciente. Metaforicamente, a água é o inconsciente, e a criatura na água é a vida ou energia do inconsciente, que dominou a personalidade consciente e precisa ser desempossada, superada e controlada.
No primeiro estágio dessa espécie de aventura, o herói abandona o ambiente familiar, sobre o qual tem algum controle, e chega a um limiar, a margem de um lago, ou do mar, digamos, onde um monstro do abismo vem ao seu encontro. Aí há duas possibilidades. Numa história do tipo daquela de Jonas, o herói é engolido e levado ao abismo, para depois ressuscitar; é uma variante do tema da morte e ressurreição.
Outra possibilidade é o herói, ao defrontar se com o poder das trevas, vencê-lo e matá-lo, como Siegfried e São Jorge fizeram quando enfrentaram o dragão. Mas, como Siegfried aprendeu, é preciso provar o sangue do dragão para incorporar alguma coisa do seu poder. Quando matou o dragão e provou do seu sangue, Siegfried ouviu a música da natureza. Ele transcendeu sua humanidade e uniu se novamente aos poderes da natureza, que são os poderes da vida, dos quais somos afastados por nossas mentes.
MOYERS: Por que você intitulou seu livro O herói de mil faces?
CAMPBELL: Porque existe uma certa seqüência de ações heróicas, típica, que pode ser detectada em histórias provenientes de todas as partes do mundo, de vários períodos da história. Na essência, pode se até afirmar que não existe senão um herói mítico, arquetípico, cuja vida se multiplicou em réplicas, em muitas terras, por muitos, muitos povos. Um herói lendário é normalmente o fundador de algo, o fundador de uma nova era, de uma nova religião, uma nova cidade, uma nova modalidade de vida. Para fundar algo novo, ele deve abandonar o velho e partir em busca da idéia semente, a idéia germinal que tenha a potencialidade de fazer aflorar aquele algo novo.
MOYERS: Por que essas histórias são tão importantes para a espécie humana?
CAMPBELL: Depende do tipo de história. Se a história representa o que se pode chamar de uma aventura arquetípica – a história de uma criança se tornando um jovem, o despertar do novo mundo que se abre para a adolescência, sempre ajuda a fornecer um modelo para acompanhar esse desenvolvimento.
MOYERS: E se o herói retorna da provação e o mundo recusa aquilo que ele traz para oferecer?
CAMPBELL: Esta, é claro, é uma experiência comum. Não que o mundo recuse sempre a dádiva, mas ele simplesmente não sabe como recebê-la, como institucionalizá-la...
MOYERS: Como fazer para destruir o dragão em mim? Como é a jornada que cada um de nós tem de empreender, que você chama “a alta aventura da alma”?
CAMPBELL: Minha fórmula geral, para meus estudantes, é: “Persiga a sua bem aventurança”. Descubra onde ela está e não tenha medo de segui Ia.
MOYERS: É o meu trabalho ou a minha vida?
CAMPBELL: Se o trabalho que você faz é o que você escolheu porque encontra prazer nele, então é o trabalho. Mas se você pensa: “Oh, não, eu não devia estar fazendo isso!”, então é o dragão espreitando, dentro de você. “Não, não, eu não podia ser escritor” ou “Não, não, eu não podia de modo algum estar fazendo o que fulano faz.”.
A aventura é a sua recompensa, mas é necessariamente perigosa, incluindo possibilidades tanto negativas quanto positivas, umas e outras fora de controle. Estamos seguindo o nosso próprio caminho, não O caminho do papai ou da mamãe. Com isso estamos, sem proteção, num campo de poderes superiores aos que conhecemos. É preciso ter alguma noção das possibilidades de conflito nesse campo, e, para isso, algumas boas histórias arquetípicas, como esta, podem preparar nos para o que nos aguarda. Se formos imprudentes e, ao mesmo tempo, estivermos inabilitados para o papel que nos destinamos, esse será um casamento demoníaco, um verdadeiro desastre. Mesmo assim, porém, uma voz de resgate talvez seja ouvida, para converter a aventura numa glória para além de qualquer coisa jamais imaginada.
O importante é viver a vida em termos de experiência e, portanto, de conhecimento, do mistério intrínseco da vida e do seu próprio mistério. Isso confere à vida uma nova radiância, uma nova harmonia, um novo esplendor. Pensar em termos mitológicos ajuda o a se colocar em acordo com o que há de inevitável neste vale de lágrimas. Você aprende a reconhecer os valores positivos daqueles que aparentam ser os momentos e aspectos negativos da sua vida. A grande questão é saber se você vai dizer, de coração, um sonoro sim ao seu desafio.
MOYERS: A saga do herói?
CAMPBELL: Isso, a saga do herói, a aventura de estar vivo.
Ultima Ceia e os verdadeiros banqueteantes







