quinta-feira, 15 de maio de 2008

OS ESTUDANTES E SUAS IDIOSSINCRASIAS

"Este foi um trabalho realizado por mim e meu grupo (Linete e Ricardo) em sala de aula, durante a matéria de História da Cultura e da Sociedade. A finalidade dos trabalhos eram de relatar sobre como funciona a interação social de certos grupos, assim nosso grupo propos falar sobre nós mesmos, Os Estudantes, o que são e como se tornam. A seguir está postado o trabalho que fora apresentado ontem em sala de aula e aplaudido pelos colegas de sala."
GRUPO SOCIAL
-ESTUDANTES-


Que grupo melhor a ser dissertado, quando se procura escolher um grupo aonde as pessoas se socializam, do que o de estudantes? Esse o qual se encontra em todas as instituições de ensino e reúne membros dos grupos mais diversos, sociabilizando (permitindo que haja interação social) e socializando (forçando uma interação) esses membros que têm suas próprias redes sociais e acabam por vários motivos entrando em estado de socialização. Aqui trataremos não de um grupo de estudantes de uma única faculdade ou escola, em qualquer lugar se encontrará o mesmo sistema de união de estudantes, tanto em cursos de idiomas e escolas quanto em pré-vestibulares e faculdades.

Ø Tópico 1: As “Panelinhas”

A exemplo da sociabilidade provida dentro da instituição de ensino está o famoso sistema de “Panelinhas”, palavra com a denotação de um grupo formado por estudantes em uma escola, normalmente mais restrita a uma turma de mesma série/período, que se exclui dos demais.

A sociedade torna indispensável o ensino, em especial a escola fundamental e média, tanto para que aquela pessoa tenha um conteúdo básico para tanto ingressar em uma vida economicamente ativa de boas condições como para ser criado nela conceitos e meios de entender melhor o mundo, como é o caso e finalidade de ciências humanas. Assim, todo tipo de pessoa vai em busca de construir uma vida melhor no futuro, mesmo que forçadamente pela família e responsáveis.
Punks, rappers, pobres, ricos, rpgistas, góticos, pagodeiros, roqueiros, otakus, neonazistas, amantes de fuscas, de jipes, funkeiros, nerds, bagunceiros, músicos, românticos, brutos, pessoas mais velhas e mais novas, pitty boys e patricinhas… toda uma sorte de pessoas é encontrada no meio acadêmico juntos, são pessoas que mesmo considerando-os não como indivíduos, mas como membros de próprias redes de coletividade são de jeitos, formas, modas, idiossincrasias, crenças, conceitos, idéias, capacidades mais ou menos afloradas e talentos em toda uma divergência que a probabilidade da vida pode oferecer, se reúnem em um pequeno espaço no mundo forjando uma socialização forçada ou indutiva.

Em um espaço pequeno como o escolar, o normal no inicio é a seleção e o estranhamento. Começa uma busca angustiante de defeitos e vantagens sobre cada pessoa, daí virá a próxima etapa aonde cada um procurará se socializar formando seus próprios grupos, meios aonde se reúnem pessoas de jeitos, formas, modas, idiossincrasias, crenças, conceitos, idéias, capacidades e talentos similares, idênticos ou em comum. Em alguns casos esses grupos irão se isolar, por todas suas características não serem solidárias às dos demais grupos, e assim forma-se a “panelinha”; em exceções aonde todos os grupos se unem é quando várias personagens possuem jeitos adaptáveis, o que as fazem movimentar-se pelos grupos, sendo assim, cria uma espécie de ligação em rede entre cada rede coletiva já existente, havendo interação entre os grupos até que seja difícil definir as fronteiras de cada grupo ou simplesmente rompê-las. Essa busca frenética por pessoas que pensam e agem de forma semelhante é forjada pela sociabilidade individual e do ambiente, como que um instinto de sobrevivência, buscando margens de acomodação aonde possua relações amigas para auto-proteção, como parceiros para desabafar, lhe proteger, ser protegido e até para simplesmente não permanecer solitário em tempos vagos.

As instituições de ensino possuem recursos que ajudam na socialização dos alunos, forçando cada um a desenvolver sua sociabilidade com os demais, e algumas chegam a ter métodos que enfraquecem essas “Panelinhas”.

Ø Tópico 2: A Hora do Intervalo/Recreio

As instituições de ensino possuem cada qual um método para desenvolver a criança. A escola é uma etapa fundamental na vida de uma pessoa, ela tem o dever de disciplinar seu comportamento com regras de sentar-se na carteira, organização de caderno e respeito aos funcionários (autoridades de certa forma, logo se vê que a manipulação do governo sobre o coletivo já começando bem cedo), ela ainda forma para um futuro glorioso apartir do conteúdo acadêmico que formará o saber, as ciências humanas (como já citado) formará ideologias e conceitos na criança e a hora do recreio, intervalo ou até da merenda, como quiser chamar, é o momento de não apenas respeito do colégio aos direitos humanos do aluno, mas de deixar um tempo para que elas interajam entre si, lanchando juntas, conversando, discutindo, jogando futebol, cartas de pokémon, etc. e outras coisas que irão revelar sobre como é cada um e aproximará cada vez mais os estudantes, logo o intervalo cria uma socialização natural apartir da habilidade de sociar-se de cada individuo.

Ø Tópico 3: Trabalhos em Grupo

Outro método de socialização empregado nas instituições de ensino, mas com suas exceções, é a de trabalho em grupo. Neste método os alunos entram em contato com aqueles que não lhe atraíram em primeiro momento tendo que depender da personalidade, motivações, crenças, conhecimentos, posições e pensamentos de cada um daquele grupo, em busca de juntos chegarem a uma conclusão que resultará no trabalho desenvolvido. O significado desse “alcançar de ápice”, aonde as idéias entram em comunhão, é que essas idiossincrasias vão sendo filtradas de modo que cada membro encontre um ponto chave que combine as idéias. Se no começo você observava de longe e apartir de pré-conceitos você se aproximava ou não de alguém, agora sua atestação de conceitos se dava empiricamente, vendo de perto o pensamento de cada um, e a dependência individual a cada membro, leva a uma maior aproximação desses estudantes.

As competições são trabalhos em grupo mais fortes. Alguns colégios possuem gincanas em grupo, ou mesmo trabalhos em grupo com colocações e prêmios variados, do pior ao melhor, realizando assim uma motivação a cada integrante do grupo se unir mais ainda ao outro em nome da coletividade em busca do maior e melhor premio. Há então uma impactante idéia de busca de socialização forçada ao máximo em busca de um bem comum a todo esse grupo. Portanto, mesmo que você não goste do outro membro, deverão ser aliados leais se desejam ganhar o prêmio máximo, sendo que o resultado disso pode ser até tornar os dois mais compreensivos um com o outro ou acabarem por se identificarem entre si.

Ø Tópico 4: O Barzinho e as Festas

Tendo tomado uma dose de socialização impulsionada ou forçada, somada com a sociabilidade natural de cada um, a turma deverá, em tese, estar mais unida, mesmo que com “panelinhas” formadas, desse ponto crucial de interações ocorrem os programas de relacionamento, momento o qual a turma irá realizar um programa em coletividade para diversão, e aonde não haverá mais socialização, só a ação da sociabilidade. Em faculdades é comum quando o professor falta uma aula, há tempo vago, após o último dia de aula (normalmente sexta) ou quando o grupo de alunos “mata” aula, que esses estudantes dirijam-se para o bar mais próximo aonde bebem, comemoram, conversam, trocam experiências e idéias, assim há uma interação desse grupo social, e quando não ocorre em bares, ocorre o mesmo em festas, desde as juninas às de formatura.

Resumindo, pode-se dizer que os estudantes formam um grupo de membros com a maior sorte de crenças e jeitos, que deixam a vida e hobbies, de certa forma, de lado para conviverem em um centro acadêmico, para um fim, mas mantendo relações. A própria sala é um antro de seres das mais diversas culturas em prol de um único fim, nem que esse seja “passar de ano”.
Esses grupos formados e abastecidos com cultura, em especial a de ciências humanas, têm a capacidade de unir-se em defesa de crenças e conceitos, que muitas vezes a sociedade elitizada parece ignorar ou esquecer, buscando seus direitos e revolução. Um dos maiores grupos censurados e resistentes durante a ditadura do Brasil imposta apartir de 64 foram de estudantes, uma organização estudantil de nome é a UNE (União Nacional dos Estudantes).

Ø Tópico 5: Trote Escolar, A Polêmica

Por fim, não podemos deixar de tratar sobre um dos assuntos mais polêmicos quando falamos de estudantes e suas interações sociais: o trote acadêmico.
Surgido no país ibérico Portugal, na Universidade de Coimbra, sob o nome de Praxe Acadêmica, ela era uma espécie de ritual de iniciação aplicada pela Polícia Acadêmica, dona de uma jurisdição especial formada por alunos que estavam integrados em uma hierarquia de foro acadêmico definida apartir do maior tempo de permanência na instituição.

“O seu papel era o de zelar pela ordem no campus e fazer cumprir as horas de estudo e recolher obrigatório por alunos e professores, sob pena de prisão, sobrepondo-se. Também tinha a incumbência de evitar a entrada na faculdade dos habitantes da cidade que não fossem estudantes ou professores. Com estas responsabilidades, misturavam-se rituais de iniciação (ou "investidas"), para os novos alunos, recém-chegados - os caloiros ou "novatos" - à universidade, geralmente envolvendo atos de violência.”

(trecho do wikipédia que fala sobre a PRAXE)

Pouco conhecimento havia na época sobre esses acontecimentos, todavia, em 1727, graças à morte de um aluno pela utilização da Praxe, D. João V a proíbe. O Rei mandou que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos.

O trote é a forma brasileira de Praxe, e esta manifestação possui uma pesada polêmica sobre, pois é uma das coisas que é tão desejada por uns quanto temida por outros. Atualmente temos sido impactados com noticias e histórias das mais absurdas formas de trotes, tipos que levam as pessoas a cometer os piores crimes.

Há aqueles que consideram o trote como um rito de passagem, algo necessario na vida de cada um assim como o casamento, a formatura, o nascimento, as bodas de prata, etc., alguns destes ainda dizem que o trote seria um método inicial de interação social entre os alunos, mas há controvérsias. Por outro lado há aqueles que o considerem algo mais prejudicial, desnecessário e até fútil. Os trotes são classificados em quatro niveis, beneficentes, leves, moderados e graves, sendo o primeiro, um trote bem contemporaneo criado por algumas instituições, que se baseia apenas em coisas como arrecadar alimentos e roupas para necessitados; os leves são a nivel das brincadeiras de pintar a cara, aulas forjadas por veteranos e submeter-se a vontade dos veteranos; as moderadas são a de pedir dinheiro nos sinais de transito e ingerir saliva do veterano; as graves já são crimese atos condenaveis, como correr nu ou ingerir o vômito congelado em geladeira.

Em si o trote tem uma significancia de humilhação ao calouro, e sem prestar à vontade deles, o chamado “bixo” será excluido e ridicularizado pelo resto do curso. Uns gostam, encaram como experiencia bem vinda, outros temem, e por isso se prejudicam nas escolas e faculdades faltando a aula para tal, outros reagem com violencia.

Será que o trote é mesmo um meio de interação social necessario entre alunos? Será que os veteranos fazem por esse proposito e não apenas por um humor negro de devassidão? O trote não deveria ser restrito apenas àqueles que desejam passar pelo ritual, deixando os demais fora desse problema, evitando, logo, prejuizos na faculdade ou piores, como crimes? Será a faculdade um local a ser temido de tal maneira, sendo ela com finalidade de produzir profissionais e conhecimentos e não rituais de passagem? O que se achar sobre o trote? Dos entrevistados por mim, cerca de 70% repudiam o trote, 2 têm a opinião que ele deveria ser abolido sem chance de resquicios e 30% acham o trote necessario, interessante ou apenas “legal”… O que você acha desse rito de passagem que usa o conceito de metodo de interação social como desculpa para humilhar o próximo?

Ø Apêndice: Algumas Entrevistas

Nesta parte do trabalho eu entrevistei toda sorte de tipos de pensares e jeitos de estudantes e ex-estudantes em relação ao trote, como é uma parte enorme, vou postar apenas a parte da participação especial dos professores da faculdade Veiga de Almeida de Cabo Frio e colunistas do Jornal da mesma cidade, HORA CERTA, aonde, como lecionadores, irão expor seus sentimentos e posições ante ao trote acadêmico, pois é algo que em suas profissões que dificilmente seriam capazes de passar sem precensiarem tais eventos.

--JOSÉ FRANCISCO de MOURA (CHICÃO)
Professor da Universidade Veiga de Almeida, profissional na área há 12 anos e colunista do jornal interativo Hora Certa

SAMANOSUKE diz:
Primeiramente gostaria de saber sua posição quanto ao trote

José Francisco - Chicão - diz:
sou radicalmente contra quando houver qualquer forma de constrangimento
trote tem fortes elementos de comportamento fascista

SAMANOSUKE diz:
hmm... poderia explicitar sobre esse argumento de trote com elementos fascistas?

José Francisco - Chicão - diz:
Oprimir pessoas por elas estarem em estágios iniciais de qualquer atividade é um comportamento fascista travestido de desculpa de integração

SAMANOSUKE diz:
então você teria que opinião exata sobre o conceito de trote como meio de interação positiva?

José Francisco - Chicão - diz:
sim, através de doações de alimentos, festas, homenagens aos novos alunos, etc,, e não de constrangimento de qualquer tipo, como se apoderar de dinheiro contra a vontade do aluno, agressão física, agressão moral, agressão simbólica

SAMANOSUKE diz:
hmm... e seria a favor de uma lei que aprovasse o trote consciente, no qual você ao se matricular você assina um documento dizendo que deseja ou não participar do trote, sendo que se você não aceitar, tem proteção judicial caso seja ameaçado ou sofra de qualquer forma? Tendo inclusive indenização?
e claro, especificando que tipo de trote deseja levar se aceito, leve ou normal
se for tratado de forma diferente e provado por testemunhas, você estaria sob proteção judicial

José Francisco - Chicão - diz:
sim, sou a favor

SAMANOSUKE diz:
e por fim, já presenciou algum trote que lhe revoltasse ou criasse temor?

José Francisco - Chicão - diz:
Vários

SAMANOSUKE diz:
poderia nos contar um caso que marcou?

José Francisco - Chicão - diz:
quando cortaram os cabelos dos alunos na UERJ, quando atiraram tinta em uma pessoa na UVA, quando obrigaram os alunos a andar só de cuecas na UFRJ

SAMANOSUKE diz:
nesse da UFRJ, qual era a punição para as garotas?
a mesma de andar de vestes intimas?

José Francisco - Chicão - diz:
Não

SAMANOSUKE diz:
bom, e o senhor já foi alvo de algum trote?

José Francisco - Chicão - diz:
tentaram, mas ameacei com porrada e não fizeram...rs...
cara, eu tinha cabelo comprido e quiseram cortar

SAMANOSUKE diz:
poderia me relatar o tratamento da turma após essa recusa?

José Francisco - Chicão - diz:
no início com indiferença, mas depois esqueceram

SAMANOSUKE diz:
indiferença de calouros e veteranos?

José Francisco - Chicão - diz:
Só veteranos


--JOÃO GILBERTO
Professor na Universidade Veiga de Almeida, no ramo profissional há cerca de 10 anos e colunista do jornal interativo Hora Certa.

SAMANOSUKE diz:
Qual sua opinião sobre o trote?

João Gilberto:
O trote é um ritual da sociedade. Particularmente, acho uma bobagem e perda de tempo.

SAMANOSUKE diz:
Qual sua opinião sobre o conceito de trote como interação social positiva?

João Gilberto:
Os rituais são sempre modalidades interativas, quanto ao seu caráter positivo ou não, depende de muitas circunstâncias. Mas eu já havia dito que considero uma perda de tempo.

SAMANOSUKE diz:
Você já presenciou alguma aplicação de trote que lhe deixou com revolta, receio ou temor?

João Gilberto:
Já. Foi numa faculdade. Os alunos ficaram receosos, eu conversei com o grupo do trote e consegui que eles se dirigissem a outras salas. Acabou em pancadaria, mas eu e meu grupo continuamos em sala debatendo, inclusive, o assunto.

SAMANOSUKE diz:
hmm... e seria a favor de uma lei que aprovasse o trote consciente, no qual você ao se matricular você assina um documento dizendo que deseja ou não participar do trote, sendo que se você não aceitar, tem proteção judicial caso seja ameaçado ou sofra de qualquer forma? Tendo inclusive indenização?
e claro, especificando que tipo de trote deseja levar se aceito, leve ou normal
se for tratado de forma diferente e provado por testemunhas, você estaria sob proteção judicial

João Gilberto:
Claro que não. Acho que o governo já se mete demais na vida das pessoas...

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu tenho medo do trote pq quero deixar o cabelo crescer XD

Mas não tenho opinião formada se é bom ou ruim, é claro q quando acaba se tornando bullyng deve ser impedido.

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